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– Quem é vivo sempre aparece! – Exclamou um amigo meu de caneca de cerveja na mão. Depois, mirou-me de cima a baixo, atónito. – Bolas, estás uma brasa! – Sentei-me e entreguei-me ao serão bem acompanhado. Algumas cervejas mais tarde, ele acabou por desabafar alguns problemas.

– Um dia disseste-me que a minha vida parecia um ciclo, que estava sempre a repetir os mesmos erros. – Encarei-o em silêncio por alguns segundos. – Mais tarde, percebi porquê. Passei a vida a tentar libertar-me de qualquer coisa. Do curso, do meu trabalho, das responsabilidades, das decisões… Mas acabava a estudar o que não queria, continuava sem saber dizer que não ao excesso de trabalho e fugia constantemente de decidir fosse o que fosse. – Ficámos em silêncio, enquanto tirava uma fotografia da carteira. Vi-lhe o rosto a entristecer; não se tinha esquecido.

– Assumir as consequências das nossas próprias escolhas não é fácil, mas eu escolhi deixar de ser “isto”. – A fotografia revelava uma eu mais gorda, com um olhar nervoso e metida num fato de trabalho que não me favorecia. Tinha acabado de entrar numa relação que se tornou abusiva e violenta. – Se continuas assim, és tu que estás a repetir o erro. – Contemplei-o, preocupada. – Se decidires não fazer nada, tens de aceitar as consequências da tua decisão. É isso que queres? – Referia-me aos problemas desabafados. Ele desviou o olhar, inseguro. Pus a mão em cima da dele. – Não estás sozinho.

– O que significa essa data? – Interpelou ao olhar para o verso da fotografia.

– Foi o momento em que decidi libertar-me de tudo o que me impedisse para ser quem realmente sou. – A data fazia cinco anos naquela noite. – Fiz questão de tornar-me na melhor versão de mim mesma!

– Estás fenomenal! – E os nossos copos tilintaram.

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