Etiquetas

, , ,

O tempo é tão esguio como uma ideia e tão real como uma certeza. Tão depressa escorrega-nos por entre os dedos, como se cola à nossa pele. Está no que vemos, pensamos e sentimos. Mas o que é o tempo para estarmos presos no arcaico e no vindouro? O que é o tempo para o catalogá-lo de chuvoso, frio ou calorento? O que é o tempo para o agradável ser rápido e o desagradável ser penoso a passar?

O tempo testemunha as mudanças físicas no ser humano; assiste à erosão de uma falésia sob a acção combinada da água, do sol e do vento. Mas também revela-nos o mundo eterno de um segundo, o momento presente que nos deixa mais amadurecidos numa hora de 3600 segundos do que em 10 anos inconscientes. Torna-se no tempo chuvoso, quanto nos cativamos com a frescura das gotas da chuva no rosto; no tempo solarengo, quando nos rendemos ao calor que nos envolve; e no tempo tempestuoso, quando nos entregamos à explosão da energia contida. O tempo é o momento onde focamos a consciência; aquele momento romântico, quando nos entregamos a um beijo; o momento alegre, quando deixamos o corpo solto para rir; ou ainda o momento saudoso, quando mergulhamos no amor de alguém longínquo.

O tempo pode ser meramente a passagem dos anos… Encontramo-lo a esfolhear um álbum de fotografias, na ferrugem de um carro usado, num currículo preenchido e no tecido que se desfaz ao toque. Mas o que são os anos senão voltas à volta do sol, com cada volta a render milhares de segundos, com cada segundo a originar um momento diferente? E com o momento presente… Cada um de nós escolhe como vivê-lo. O tempo é a própria vida. O tempo é transformação.

Anúncios