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Olá, Avô!

Como estás hoje? Espero que te estejas a sentir melhor. Hoje eu e a minha mãe fomos ao hospital para te ver, mas estavas a dormir. Como não podíamos falar contigo, a mãe disse para escrever uma carta para ti. Gostei da ideia, porque assim é como se acordasses comigo ao teu lado para te fazer companhia.

Queria falar contigo sobre uma coisa que aprendi na catequese. Foi um pouco confuso. A catequista contou-nos como Deus criou tudo, até o Universo. Mas não percebo! Se Deus criou o Universo e a Vida, quem é que criou Deus? E não sei se ele criou mesmo Vida. Vi aquele documentário sobre astronomia na televisão, aquele que vemos sempre juntos. Gravei para o veres depois! O senhor explicou que a Vida podia ser o fruto do acaso, que foi por causa de uma coincidência e não um propósito que a Vida começou. Acho que ele é que deve ter razão. De todas aquelas colisões entre planetas, meteoritos e buracos negros, de toda aquela violência cósmica, surgiu uma coisa boa: a Terra! É como um gang! São todos maus e violentos, mas houve um que se tornou simpático e prefere ajudar os outros, em vez de bater neles. Quando disse isto à catequista, ela não pareceu lá muito satisfeita. Mandou-me ler os capítulos outra vez sobre como Deus criou tudo. Acho que ela não é lá muito fã de ciência, Avô.

Preciso que te ponhas bom depressa. Vou ficar maluco da cabeça se continuar a ouvir que Deus está em tudo e em todos. Se assim fosse, nós éramos deuses e imortais, e não estarias agora o hospital. Mas a catequista fez uma careta mesmo muito feia, quando lhe disse isto. Não percebo porquê! Faz todo o sentido!

As melhoras!

Francisco

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