Etiquetas

, , ,

A menina estava sentada num banco de madeira desconfortável à frente do gabinete do Director. Olhava para as mãos com uma expressão triste. A porta do gabinete abriu-se, fazendo a menina olhar para cima. A mãe aproximou-se, atrasando um pouco o passo para observar a criança de 11 anos. Sentou-se ao lado dela.

– Queres contar-me o que se passou? – A menina apenas encolheu os ombros cabisbaixa. – Nós falámos como era importante não voltar a ser chamada ao gabinete do Director, filha. – A criança comprimiu os lábios numa linha fina e cruzou os braços.

– Não fiz nada de mal. – Falou num tom decidido. A mãe reprimiu a impaciência.
– Não podes chamar nomes à professora, querida. – A criança olhou chocada para a mãe.
– Eu não chamei nomes nenhuns! – Começou a fazer beicinho.

– Filha…

– A professora é que disse que eu estava errada, mas eu não estava! A minha resposta era igual ao texto! – Ela endireitou-se. – Disseste que temos sempre de ouvir o outro, porque é a falar que somos amigos, mas a professora não me deixou falar. – Cruzou os braços e com uma voz chateada, acrescentou:

– A professora não é minha amiga.

– Mas não podes chamar nomes feios às pessoas. Nós falamos sobre isso no outro dia, querida. – A menina abriu a boca em choque.

– Eu não chamei nomes nenhuns. – Esticou o dedo dianteiro. – E no outro dia falamos como é feio mentir. Não tenho culpa se o espelho dela lhe mente todos os dias. Ela tem aquela verruga enorme no queixo como uma bruxa!

– Querida, mas isso não significa que podes chamar-lhe bruxa. Ainda por cima na sala de aula! É pedir sarilhos!

Anúncios