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Dois cientistas observavam a cobaia por trás do vidro fosco. Não passava de um prisioneiro – um ladrão insignificante – a que tiveram direito para realizar os testes mentais de tortura.

– Interessante. – Disse um dos cientistas. Chamemos-lhe Frio. Era conhecido por ser implacável a executar os ensaios nas cobaias humanas. Diziam que tinha gelo em vez de sangue a correr-lhe nas veias. – Pergunto-me que argumento terá ele usado para estar tão satisfeito com uma simples parede branca e vazia… – O outro lançou-lhe um olhar irado. Emocional será um nome apropriado para referir esta personagem.

– Achas que eu não sei o que fizeste? Tens noção de como isto pode pôr todo o nosso trabalho em causa?! Como podemos sequer justificar isto?! É um comportamento inesperado!

– Calma, calma… – Respondeu o Frio sem se dignar a olhar para o colega. – Tu sabes que esta cobaia não ser-nos-á útil por muito mais tempo. Sou da opinião que temos direito a alguma diversão. Aliás, a cobaia estava a ficar apática e precisávamos que reagisse, senão aí é que os resultados não nos serviriam para nada. – O homem ria e saltava agora numa espécie de dança selvagem. Frio coçou o queixo. – Há alguma referência nos registos dele sobre ADN americano? – O Emocional observou de imediato os movimentos do homem com um olhar preocupado. Depois, sibilou horrorizado.

– Não acredito! – Virou-se para o Frio. – O nosso trabalho… Inútil! – Uivou como se estivesse em sofrimento. – O outro apenas encolheu os ombros, ignorando o drama. Mas depressa os seus olhos brilharam maliciosamente.

– Se não nos serve de nada… – O Emocional sorriu friamente.

– O que tens em mente? – O Frio tirou uma seringa do bolso. Nela lia-se “Esquizofrenia”. Estava escrito à mão com um estilo de letra elegante.

– Vamos brincar às Vozes?

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