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O detective olhou para cima e deu uma volta sobre si mesmo. Havia duas senhoras idosas que, descaradamente, não se mexeram, quando as apanhou a espiolhá-lo. Ainda bem. Falaria com elas sobre o esqueleto humanóide, que foi encontrado e abafado no espaço de uma semana com o Exército a levá-lo sobre o pretexto de segurança nacional. O detective torceu o nariz, num gesto automático a tudo o que desaprovava. No relatório “oficial” do Exército, não foram discriminadas quaisquer testemunhas, mas se aquelas senhoras eram como as velhotas do prédio dele, então ficaria a saber tudo, até ao ínfimo pormenor.

Duas semanas mais tarde, o corpo do detective deu à costa, apanhado numa rede pesqueira. Sem que qualquer relação fosse feita, uma das senhoras idosas caiu das escadas do prédio depois de regressar do passeio habitual com o chihuahua. A outra, diz-se, a família levou-a para um lar.

Microconto inspirado pelo tema diário Privacy do website The Daily Post.

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